A alimentação

in Jornal de Coimbra, 2 de Julho de 2003

Quando trazemos um cachorro para nossa casa, uma das decisões mais importantes a tomar diz respeito à maneira como o vamos alimentar.

A alimentação de um cachorro deve ser preferencialmente feita à base de granulado seco para cachorro. O cachorro (e o cão adulto) necessita de ter sempre água à sua disposição, especialmente se for alimentado com rações secas.

Todas as marcas de ração têm alimentos específicos para o desenvolvimento de um cachorro. Se o cachorro estiver habituado a comer uma ração que não seja a da nossa preferência, devemos fazer uma transição gradual na alimentação, trazendo uma porção de ração da casa do criador que se vai misturando com a ração que escolhemos dar-lhe.

O cachorro deve ser habituado a comer a horas certas, e não deve ter alimentos à sua disposição todo o dia. Existe a ideia errada de que alguns cães não gostam de comer ração. Mesmo cães habituados a comer outros alimentos durante anos se habituam em meia dúzia de dias a comer ração, acabando por ser muito melhor alimentados. Tudo passa por uma questão de disciplina que tem de ser imposta pelos donos. Um cachorro aprende muito depressa a fazer chantagem com o dono. Ele aprende depressa que a tendência do dono, quando vê que ele não está a comer, é dar-lhe outros alimentos com sabores mais interessantes. Se deixarmos a ração sempre à disposição do cão, será muito difícil controlar a quantidade de alimento que o cão está realmente a ingerir. Pode comer pouco durante o dia, de modo a ir enganando a fome, e simultaneamente a chantagear o dono que, ao fim do dia, olha para a taça e tem a ideia errada que o cão nada comeu... Se isto acontece com o seu cão, experimente pesar a comida no início e no fim do dia. Com certeza vai chegar à conclusão que ele comeu 40 ou 50 gramas e que isso foi suficiente para não passar fome. Lembrem-se que se deixarmos uma criança escolher entre um prato de arroz-doce ou um prato de sopa, ele preferirá o prato de arroz-doce... No entanto ninguém concorda que essa seja a melhor escolha, muito menos se for sistemática. Uma criança não tem consciência do que é realmente importante para o seu desenvolvimento. Um cachorro também não tem essa consciência. Cabe aos donos assumirem a responsabilidade de tomarem, desde o início, as decisões mais correctas.

A melhor forma de alimentar um cachorro é dar-lhe diariamente a quantidade de ração aconselhada pela marca (que tem em conta a idade e o peso do cachorro), dividida, preferencialmente, por quatro refeições diárias. A alimentação é posta à disposição do cachorro durante 20 ou 30 minutos, durante os quais podemos estar ao pé dele. Se o cachorro não quiser comer, retira-se a taça de comida e na refeição seguinte voltamos a colocar a taça exactamente com a mesma quantidade de comida. Ele tem de perceber que, se não se alimentar naquele momento, vai ficar com fome até à hora da refeição seguinte. Ninguém lhe poderá dar comida entre as refeições! Caso contrário o cachorro aprende imediatamente que tem uma margem de manobra onde pode jogar com os donos, e nunca vamos conseguir que ele se alimente de uma forma equilibrada.

Uma maneira de estimular o cachorro para que ele coma melhor é simular aquilo que acontece dentro da ninhada, em que cada um tem de competir pelo seu alimento. Quando o cachorro passa para casa do seu dono, deixa de ter essa motivação, ninguém vai competir com ele pela mesma comida. Podemos ajudá-lo, mexendo na comida como se a estivéssemos a retirar. Enquanto come, podemos fazer-lhe algumas festas (não muito insistentes) para que ele associe o acto de comer a sensações agradáveis.

Habituar o cão a comer a horas certas também vai ajudá-lo a treinar mais facilmente os seus intestinos e bexiga, para que mais rapidamente se habitue a não fazer as suas necessidades em lugares menos próprios...

Restos de comida não são nunca alimentos correctos para o seu cachorro. Para que ele cresça de forma harmoniosa tem de ter uma alimentação equilibrada, e as necessidades dos cães não são iguais às nossas (o homem é omnívoro e o cão carnívoro). Acabamos por arranjar muitos problemas, especialmente quando o cão chegar à sua fase adulta ou de velhice, em que vai sofrer de males provocados por uma deficiente alimentação, obrigando muitas vezes a gastos avultados no veterinário.

O dono deve também ter cuidado com a ração que escolhe para alimentar o seu cão. Há muitas marcas de ração de boa qualidade que nos permitem alimentar o nosso cão de forma equilibrada e gastando diariamente o equivalente ao preço de um café ou de uma cerveja.

À medida que o cão cresce, o número de refeições diárias deve ir diminuindo (dependendo das raças). Na generalidade, começamos com quatro refeições diárias, passando por volta dos quatro meses para três, por volta dos oito meses para duas, e por volta do ano de idade poderá estar a comer apenas uma vez por dia. Exceptuam-se algumas raças, especialmente as de grande porte, que devem continuar a comer sempre várias vezes por dia para evitar problemas de saúde como, por exemplo, a torção do estômago.

Para escolher a ração mais apropriada para o seu cachorro e para a sua carteira, deve parar e fazer contas: analisar a composição das rações e olhar não para o custo de um saco de ração mas sim para o custo diário de alimentar o cão. Uma ração que custe menos por quilo mas que obrigue a que seja dada uma maior quantidade de alimento diário acaba por ser mas cara do que uma ração com preço por quilo mais elevado mas que aconselhe menores quantidades diárias de alimento. Para cada fase da vida de um cão devemos dar-lhe a ração mais adequada. Hoje em dia a maior parte das marcas de ração tem uma vasta gama de produtos que lhe permitem alimentar correctamente o seu cão desde o nascimento até à velhice, indo sempre ao encontro das suas necessidades, que vão variando consoante a idade.