A chegada a casa

in Jornal de Coimbra, 21 de Maio de 2003

Quando escolhemos um cachorro e decidimos levá-lo para nossa casa, a primeira coisa que devemos ter em conta é a maneira como o vamos transportar.

Se o vamos transportar de carro, a forma ideal é levá-lo ao colo, para que ele se sinta mais seguro e confortável e haver menos hipóteses de enjoar. Outra possibilidade é transportarmos o cachorro numa caixa ou transportadora própria para cães (que se podem adquirir em qualquer loja da especialidade). O que realmente conta é que o cachorro se sinta confortável e em segurança.

Ao chegarmos a casa, devemos ter consciência que o cachorro vai entrar num espaço totalmente novo e desconhecido. A tendência da maior parte das pessoas que recebem um cachorrinho em sua casa é, assim que ele chega, chamarem-no, pegarem-lhe ao colo, brincarem com ele, e esperam que o cachorro esteja imediatamente disponível para tudo isso. Mas atenção: um cachorro não é um brinquedo! É natural que se sinta assustado: é a primeira vez que se vê longe da sua mãe e dos seus irmãos de ninhada onde se sentia confortável e muito seguro.

A atitude correcta que os donos devem ter ao receberem o seu cachorro em sua casa é a de colocarem o cachorro no chão e deixarem o cachorro fazer, por ele próprio, o reconhecimento do espaço. Não devemos impor a nossa presença, devemos deixar que seja o cachorro a procurar-nos e a descobrir os cantos à casa, ao seu ritmo, e decidir quando está pronto para brincar e para receber afecto. Se fizermos isto será mais fácil e mais rápido termos o nosso cachorro ambientado a nós e ao novo espaço, pois a passagem da sua vida de ninhada para a sua vida na companhia dos seus donos foi feita sem traumas.

Temos de ter a consciência de que o cachorro vai estar nervoso, e por isso é normal que tenda a fazer as suas necessidades fisiológicas. Devemos colocá-lo, por isso, num sítio de fácil limpeza e não devemos ralhar-lhe (é preferível fazer de conta que nem demos por isso...).

Depois de o cachorro estar à vontade, devemos preocupar-nos em arranjar um sítio onde ele possa ficar e dormir durante a noite. A primeira noite do cachorro na sua nova casa pode ser complicada: há cachorros que se adaptam muito bem à sua nova vida, mas também há aqueles que sentem muito a falta da mãe, dos irmãos, e tendem a chorar. Neste último caso, não existem receitas infalíveis para lidar com o problema. No entanto, há alguns truques que geralmente dão bons resultados, minorando o medo e a insegurança do cachorro. Uma das hipóteses é deixarmos um rádio ligado baixinho, de forma a que o cachorro se sinta acompanhado, acalmando-o e fazendo com que acabe por adormecer. Outra hipótese é termos já preparada uma peça de vestuário velha, ou uma toalha, que tenha estado no cesto da roupa suja por forma a que o cão sinta o cheiro dos donos, o que vai fazer com que se sinta mais aconchegado e confortável. Uma outra solução é deixar uma luz de presença (como se faz com os bebés) de forma a que o cachorro, ao acordar, reconheça o espaço e não tenha medo.

O nosso cachorro deve, desde a primeira noite, ficar a dormir no sítio que destinámos para esse efeito. Há muitas pessoas que, ao verem o cachorrinho pequenino, pensam que o melhor é colocá-lo a dormir junto de si, nos seus quartos, pensando que mais tarde o mandarão dormir para outro lado. Dificilmente um cão perderá os hábitos que adquirir em cachorro! É por isso muito importante que as regras de comportamento sejam impostas desde o início. Se permitirmos um cachorro fazer determinadas coisas que, mais tarde, queiramos impedir, estaremos a complicar em muito a nossa vida. Se decidirmos que o cão deve, em adulto, ficar a dormir na cozinha, marquise, num canil, então é aí que ele deve dormir desde a primeira noite.

Seguindo estes conselhos será mais fácil dar as boas-vindas ao novo elemento da família!